Cabaré da Vida Pequena
Um dos mais premiados e inovadores grupos da cena teatral gaúcha, a Cia. Rústica estará em cartaz em São Paulo. Por meio do projeto de circulação Cia. Rústica, 21 anos de invenções no sul do mundo: Residências Petrobras, a trupe irá exibir o espetáculo Cabaré da Vida Pequena (04 e 05/11, às 20h30min) com direção de Patrícia Fagundes.
Cabaré da Vida Pequena é uma peça sobre histórias extraordinárias de pessoas comuns. O roteiro mistura realidade, ficção, teorias, histórias e canções e foi desenvolvido a partir de um processo de criação colaborativa com o grupo, assim como nos trabalhos anteriores da companhia. No solo machucado desse planeta marcado por coisas grandes demais — como guerras, multinacionais, milhões de dólares e de seguidores —, se infiltram vidas pequenas capazes de germinar memórias e futuros. As pessoas que são quase todo o mundo: desimportantes, imperfeitas, desconhecidas e extraordinárias. São encantos e forças que escapam aos gigantes, tão preocupados em crescer mais e mais, devorando tudo pelo caminho. Talvez seja só aí, na dimensão da pequeneza, que possa habitar a imensidão da vida plena que tanto se teima em imaginar, desejar e lembrar.
— Cada vez mais, acho que a possibilidade de transformação do mundo e seus terrores passa pelo pequeno, pelo comum, que tem a ver com o bem comum. Como em outros espetáculos da Cia. Rústica, compartilhamos o jogo do teatro. E, nesse cabaré, assumimos com mais ênfase este lugar de pequena produção do sul do mundo. Esse é o nosso circuito. Não somos dos grandes polos artísticos reconhecidos do mundo, com muita grana e glamour. Habitamos as margens, os desvios, o pequeno. Há uma força nessa insistência poética de inventar impossíveis — explica a Patrícia Fagundes.
Com elenco formado por André Varela, Diego Nardi, Phill, Priscilla Colombi e Sandra Possani, a peça mistura ficção e realidade a partir de um processo de criação coletiva do grupo, assim como nos trabalhos anteriores da companhia. São histórias de gente comum, de questões invisibilizadas, pedaços de canções e de vidas.
— Há uma mistura de material biográfico, documental e ficcional. Falamos do Pampa, por exemplo, um bioma pouco valorizado e conhecido. Também retratamos pessoas e bichos, misturamos com dados de pesquisas. Falamos ainda da morte e da vida, de arte, de desejos, de sonhos, de memória. É um cabaré diferente experimentando outros modos criativos com um elenco de cinco artistas que conheço e trabalho há anos. O repertório de cada um de nós está ali, e nossas próprias histórias e vidas pequenas. Com pequeno, não queremos dizer medíocre ou limitado, e sim o que está fora do óbvio e do hegemônico — detalha a diretora.
A montagem conta ainda com trilha sonora de Simone Rasslan, figurinos de Sandra Possani, cenário de Rodrigo Shalako e produção de Letícia Vieira, Patrícia Fagundes e Diego Nardi. O projeto foi selecionado no edital Petrobras Cultural — Novos Eixos e tem o financiamento da Petrobras por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e do Ministério da Cultura.
