“A Última Valsa de Zelda Fitzgerald” estreia em São Paulo e devolve protagonismo a uma artista apagada pela história
Solo teatral com Larissa da Matta revisita a trajetória de Zelda Fitzgerald para além do mito de musa dos anos 1920 e lança luz sobre uma mulher silenciada pela fama e pelo plágio artístico cometido pelo marido F. Scott Fitzgerald.
Por muito tempo, Zelda Fitzgerald foi lembrada mais como símbolo de uma época do que como autora da própria história. Associada ao brilho da Era do Jazz, à imagem da mulher excessiva e à fama de F. Scott Fitzgerald, escritor de O Grande Gatsby e outros marcos da Literatura mundial, sua trajetória foi frequentemente reduzida a estereótipos que a colocavam no lugar da musa, da esposa difícil e da figura instável. Em “A Última Valsa de Zelda Fitzgerald”, esse olhar é deslocado: o solo teatral resgata a complexidade de uma mulher artista, escritora e pensadora, cuja voz foi tantas vezes abafada pela narrativa construída ao seu redor.
Com atuação e concepção de Larissa da Matta e dramaturgia assinada por ela em parceria com Pedro Amaral, o espetáculo estreia em abril, em São Paulo, propondo ao público uma imersão na vida e obra de Zelda para além do imaginário romântico e trágico que a transformou em personagem secundária de uma história masculina. Em cena, sua história emerge como a de uma mulher em conflito com o tempo em que viveu, com o casamento que a atravessou, com a disputa pela autoria da própria vida e com as tentativas insistentes de afirmar sua criação em um mundo que parecia disposto a lhe negar lugar.
A peça acompanha Zelda desde seu início no sul dos Estados Unidos à consagração social nos anos 1920, passando pelos embates de seu casamento com Scott Fitzgerald, pelas tensões entre vida íntima e produção artística, pela vontade de existir para além da figura de esposa célebre e pelo agravamento de sua saúde mental. Entre festas, delírios, memórias e internações, o espetáculo constrói o retrato de uma mulher intensa, contraditória e profundamente humana.
