A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia
Mil anos atrás, cortar cabelos, arrancar dentes e fazer uma sangria podiam fazer parte da rotina de um mesmo profissional. Em diferentes sociedades medievais, procedimentos hoje associados à medicina e à cirurgia também eram executados por barbeiros e outros práticos, uma relação histórica tão improvável aos olhos contemporâneos quanto fértil para a comédia.
É desse universo que parte “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia”, espetáculo escrito e protagonizado por Emerson Espíndola, o Mister Emerson, com direção de Ivan Parente. Depois de estrear em São Paulo no primeiro semestre de 2026 e seguir com apresentações fora da capital, incluindo passagem por Itajaí, a montagem retorna à cidade para uma nova temporada no Teatro Itália,
durante o mês de setembro, às quintas-feiras, às 20h, e aos sábados, às 17h.
No centro da história está Raí, um barbeiro-curandeiro que tenta sobreviver em uma praça da Andaluzia medieval oferecendo aos habitantes tudo aquilo que sabe, ou acredita saber, fazer. Entre cortes de cabelo, dentes arrancados, sangrias, rezas, ferimentos e soluções improvisadas, ele circula por uma fronteira ainda pouco definida entre ofício, crença, charlatanismo e conhecimento.
O que começa como a sucessão das estratégias de sobrevivência de um homem vai se transformando em uma investigação sobre uma pergunta que atravessa séculos: como sabemos que aquilo em que acreditamos é verdade?
Embora ambientada há cerca de mil anos, a comédia encontra justamente nessa distância histórica uma maneira de falar do presente. Se Raí vive em um mundo em que conhecimento científico, tradição, fé, experiência e superstição disputam espaço, o espectador contemporâneo reconhece mecanismos que continuam familiares em uma época marcada pelo excesso de informação e pela dificuldade de separar evidência,
crença e desinformação.
A trama é ficcional, mas atravessada por referências e informações históricas. A proposta não é reconstituir uma aula de história da medicina, e sim utilizar seus episódios, contradições e descobertas como matéria dramática. A cada nova informação, o passado se aproxima do público e revela tanto aquilo que mudou radicalmente quanto hábitos, medos e comportamentos que parecem ter atravessado os séculos.
