GANGA
Como representar a tragédia? Como trabalhar cenicamente algo cujas dimensões são difíceis de dimensionar? Como identificar o assassino de um crime cujas origens podemos rastrear na invasão do território do que hoje chamamos Brasil? Por que as coisas, um instante antes de acontecerem, parecem já ter acontecido?
Essas questões tem mobilizado o Coletivo ATERRA desde sua fundação em 2022, no Departamento de Artes Cênicas da USP. Formado por estudantes da Licenciatura e do Bacharelado, o Coletivo sempre associa a criação cênica à pesquisa e à pedagogia, propondo processos criativos vinculados à oficinas e mediações em escolas. Essas ações sempre estiveram associadas à elaboração teatral dos crimes de Brumadinho e Mariana, interpretados a partir das comospercepções afrobrasileiras. O primeiro resultado dessa articulação foi peça Tudo passa sob[re] a Terra. Contudo, ao longa da circulação dessa obra pelas ruas, teatros e escolas públicas observamos que precisávamos aprofundar aprofundar no problema social, compreender suas consequências atuais, os detalhes da tragédia em si e suas vinculações com o passado brasileiro.
Essas lacunas foram os disparadores do processo criativo de GANGA – atual projeto do Coletivo. Através de uma abordagem que combina pesquisa documental, relatos colhidos em campo e ficção, GANGA propõe uma reflexão crítica sobre as continuidades entre a mineração do século XVIII em Vila Rica e o crime ambiental ocorrido em Brumadinho, em janeiro de 2019. Fruto de um processo de investigação de
dois anos, a peça mescla os depoimentos do presente com cenas históricas, fazendo dialogar os vissungos – cantos afrobrasileiros criados em Minas durante o ciclo do ouro – com poemas de Carlos Drumond de Andrade, que elaboram poeticamente a devastação provocada pela Vale no séc. XX.
Ficha Técnica:
Direção Geral: Clarice Chauí
Direção Musical: Clara Beatriz
Dramaturgia: Clarice Chauí, Clara Beatriz, danni vianna, Carlos del Poente
Elenco: Ana Fabrini, Bruno Fanin, Clara Beatriz, Gabi Cortez e Pedro Máximo
Preparação Corporal: Pedro Máximo
Iluminação: Bárbara Freitas
Sonoplastia: Leu de Souza
Figurino: Thamires Marques
Designer Gráfico: Gabriel Franco
Orientação: Lucienne Guedes
Provocação musical e teórica: Luciano Mendes de Jesus
