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LESTE

COM DIREÇÃO DE MARTHA KISS PERRONE LESTE VOLTA À CASA DO POVO.

Filme-instalação que transita entre teatro, cinema e música revisita memórias para falar da atualidade. Público é levado para as ruínas do Teatro TAIB seguido de uma imersão entre duas telas com projeções diferentes. A cantora e atriz Assucena, indicada ao Prêmio Shell de Teatro, integra o elenco

Um teatro em risco, um filme feito dentro de um teatro falando sobre o próprio fazer teatral, um teatro em ruínas, uma fábula com linguagem contemporânea. LESTE, a mais recente produção da Casa do Povo que conta com Martha Kiss Perrone na adaptação, direção e dramaturgia, volta para mais uma temporada a partir de 14 de março, terça-feira, às 20h, no próprio Centro Cultural do Bom Retiro. O filme-instalação traz à cena o processo de criação de um espetáculo em uma experiência híbrida com várias linguagens artísticas.

Idealizado por Benjamin Seroussi e Hugueta Sendacz, LESTE surge a partir da peça de teatro iídiche Um Sonho de Goldfadn, de Jacob Rotbaum, diretor judeu polonês que desembarcou no Brasil em 1948 após a Segunda Guerra e fez sua montagem no Teatro Municipal com atores ligados à Casa do Povo então em construção. A convite da Casa do Povo, a diretora Martha Kiss Perrone reimaginou a peça a partir do texto original, dialogando com os tempos de hoje.

LESTE marcou a estreia da cantora Assucena como atriz. Indicada ao Prêmio Shell de Teatro pelo espetáculo Mata Teu Pai, Assucena divide a cena com Amanda Lyra, André Lu, Heitor Goldflus, Rodrigo Bolzan e Vitória Faria. O filme-instalação começou a ser gestado como peça de teatro. A ideia inicial era ter uma montagem com atores e músicos e um filme realizado ao vivo que acontecesse em vários espaços da Casa do Povo, levando o público a percorrê-los. Com a pandemia, o espetáculo migrou para o cinema, mas manteve o conceito original de instalação imersiva. “LESTE é o teatro em exílio no audiovisual”, define Martha Kiss Perrone.

A obra multimidia conta a história de um teatro em risco, quando o diretor de um velho teatro em Varsóvia resolve tirar de seu repertório todas as peças iídiche depois que o ator principal é preso pela polícia política. Num delírio fantasmagórico, o contrarregra convoca então os próprios personagens e paisagens vindos do Leste Europeu das peças de Goldfadn, pai do teatro iídiche, para salvar o teatro, como artesãos, mascates, partisans, bruxas, mulheres em fuga e florestas.

Ruínas do Teatro TAIB
Mescla de instalação, teatro, cinema e música, LESTE leva o público para uma viagem por dentro do espetáculo e suas filmagens nos espaços da Casa do Povo. O prólogo acontece nas ruínas do Teatro TAIB vistas a partir do balcão do teatro desativado, que se encontra fechado há anos no subsolo do centro cultural do Bom Retiro. O público ouvirá gravações de textos e depoimentos dos atores, além de poder ver a cenografia das filmagens.

Na sequência, o público se desloca para o grande salão da Casa do Povo no segundo andar. O local terá duas telas que projetarão o filme simultaneamente (as mesmas cenas, mas com olhares diferentes), sendo que a plateia estará acomodada no meio. A instalação se completa com cenografia e iluminação pensadas para uma completa imersão dos espectadores.

Para Martha Kiss Perrone, que já criou e esteve em cartaz com alguns espetáculos na Casa do Povo, como Rózà, sobre a revolucionária Rosa Luxemburgo, Revolta Lilith e Quando Quebra Queima com a coletivA ocupação, LESTE é uma investigação de como levar ao público uma obra multimidia. “Estamos falando de uma língua que atravessou territórios, do ato de contar histórias e a luta do teatro para que essas histórias não sejam perdidas. Acredito que um dos temas principais do filme-instalação é a ruína, a linguagem, o teatro em risco e conexões que isso traz no nosso tempo”, explica a diretora.

Processo teatral e cinematográfico
Apesar de possuir toda a genealogia de um espetáculo teatral, LESTE transborda a fronteira da linguagem e usa todos os recursos do cinema reunindo artistas de diferentes trajetórias. Para transpor a fábula original de Rotbaum para o audiovisual, a obra ganhou integrantes de peso, como os diretores de fotografia Paula Serra e João Atala, que trabalhou com a diretora Petra Costa.

“A obra é um híbrido de teatro e cinema, pois por mais que seja um filme ele foi ensaiado e filmado em um teatro. As duas telas provocam o público dentro do filme, dentro do sonho desse guardião do teatro. Ficção e realidade se misturam em uma linguagem onírica, e ao mesmo tempo festiva”, enfatiza Martha Kiss Perrone.

A música também marca presença dentro desse processo de teatro e cinema. Criada durante os ensaios e as filmagens com direção de Juliano Abramovay, que buscou inspiração na música klezmer, um estilo musical típico das festas judaicas da Europa do Leste, a música também joga com a ambiguidade presente na obra, como passado e presente, partidas e chegadas, derrota e reconquista e sonhos e assombrações.

“Mais de 70 anos depois, essa montagem coloca o enredo original da peça em fricção com o tempo presente: movimentos sociais, diásporas contemporâneas, censuras e a importância de sonhar e do fazer teatral”, acredita Benjamin Seroussi. “O teatro ídiche sofreu um corte violento com os massacres da Segunda Guerra Mundial e nós aqui somos herdeiros de uma tradição que não nos foi ensinada, então é preciso reinventá-la! LESTE nasce nesta brecha!” completa Seroussi.

FICHA TÉCNICA:

Direção: Martha Kiss Perrone.
Adaptação e dramaturgia: Martha Kiss Perrone.
Roteiro filme: Martha Kiss Perrone em colaboração com João Turchi.
Colaboração roteiro: Murilo Hauser, Jaya Batista.
Textos: João Turchi, Icaro Pio, Amanda Lyra, Rodrigo Bolzan, Assucena Assucena, Hugueta Sendacz, Martha Kiss Perrone e trechos de Alain Brossat e Sylvie Klingberg (Yiddishland Révolutionnaire).
Texto Todos Os Santos: Ícaro Pio e André Lu.
Atores: Amanda Lyra, André Lu, Assucena Assucena, Heitor Goldflus, Rodrigo Bolzan, Vitória Faria, Ariane Aparecida, Nina Hotimsky, Ícaro Pio, Betty Poquechoque, Sonia Limachi Quispe, Yenny Rodrigues Cruz e Elizabeth Mariela Cuaremayta Mamani.
Direção musical: Juliano Abramovay.
Músicos: André Vac (violino e baixo), João Batista Brito (clarinete, sax tenor), Quiriku (clarinete) e Vitória Faria (sanfona).
Colaboração musical e tradução do texto original: Hugheta Sendacz.
Música adicional no filme: Álbum Aló de Juliano Abramovay e João Batista Brito.
Assistência de direção: Jaya Batista e Anelena Toku.
Preparação corporal: Jaya Batista.
Fotografia filme: Paula Serra e João Atala (primeira etapa filmagem) e Cris Lyra, Ariel Schvartzman e Paula Serra (segunda etapa filmagem).
Filmagem adicional: Janaína Wagner, Martha Kiss Perrone.
Assistente de câmera: Alicia Esteves.
Coordenação filmagem: Paula Serra.
Edição: Diego Arvate e Fernando Coster.
Desenho de som e mixagem: Edson Secco.
Tratamento de cor e finalização: Brunno Schiavon e Isabel Beitler.
Direção de arte e cenografia da instalação: Frederico Ravioli.
Assistência direção de arte: Maíra Suzuki.
Assistência direção de arte e de cenotécnica: Ìcaro Pio e André Melhado Araujo Lima.
Pintura: Frederico Ravioli, Gabriel Ussami e Maíra Suzuki.
Apoio cenotécnico: Jeff Lemes (primeira etapa filmagem).
Figurino: Gabriela Campos.
Assistente de figurino: Juliana Del Rosso e Ariane Aparecida Fachinetto.
Desenho de luz: Giulia Martini.
Assistente de iluminação: Bê Camelo e Felipe Stucchi.
Técnico implementação de luz: Pajeú.
Captação de som: Rafael Coutinho.
Assistente de captação de som: Vanessa Gusmão.
Condução de Iídiche: Gustavo de Oliveira Emos.
Direção de produção: Carla Estefan (ensaio e filmagem).
Produção executiva e coordenação finalização filme: Patricia Iglecio.
Assistente de produção: Juliana Mattar.
Estagiário de produção: André Melhado.
Gestão de projeto: Metropolitana Gestão Cultural e Casa do Povo.
Estagiários de produção: Chiara Iglecio e Letícia Karen.
Produção Casa do Povo: Marcela Amaral e Leonardo Monteiro.
Assessoria de imprensa: Frederico Paula – Nossa Senhora da Pauta.
Fotos: Paula Serra.
Operador de som temporada: Tomé de Souza.
Operador de vídeo e luz: Henrique Andrade.
Agradecimentos: Renato Sztutman, Jean Tible, Sarah Sztutman, Lia Sztutman, Suely Rolnik, Silvio Band, Fernando Nogari, Petra Costa, Monstercam, Pedro Farkas, Sonidera e Mendelics.
Apoio: Daniel Annenberg
Parceria: MAXI Áudio Luz Imagem, Electrica

Estreia dia 14 de março, terça-feira, às 20h.

 

Texto disponibilizado pela produção do espetáculo.

Detalhes da peça

Status

Encerrada

Temporada

De 14/03/2023 até 02/04/2023

Dias

qua a sáb 20h, dom 19h

Duração

90 minutos

Valor

Gratuitos com distribuição presencial 1 hora antes do início das sessões.

Região

Centro / São Paulo

Teatro / Espaço


Estacionamento

Cafeteria

Não

L

Classificação indicativa

Classificação Livre para todas idades

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