“Ofício” coloca atores diante das contradições do trabalho e do fazer teatral em temporada no Teatro Arthur Azevedo
Com direção de Lucas Mayor e Marcos Gomes, a montagem é dividida em três partes e aproxima situações vividas pelos artistas de textos de diferentes períodos da história do teatro. Antígona, de Sófocles, O jardim das cerejeiras, de Anton Tchekhov, e O Ator, de Plínio Marcos, são incorporados à dramaturgia para tratar de questões como a precarização do trabalho, o luto e a especulação imobiliária que afeta espaços independentes.
A primeira parte, Autodescrição, foi escrita por Marcos Gomes, dramaturgo com deficiência, para os atores Cleber Tolini, com baixa visão, e João Bourbonnais, de 70 anos. A cena utiliza procedimentos de autodescrição e audiodescrição para acompanhar dois atores que não encontram lugar no mercado de trabalho e tentam viabilizar uma pequena montagem de O jardim das cerejeiras. A acessibilidade, neste caso, integra a própria construção da cena e da dramaturgia.
A segunda parte do espetáculo é dedicada a O Ator, texto de Plínio Marcos escrito em 1986 e dedicado às atrizes e aos atores. Interpretado por Guilherme Conceição, o texto assume uma voz em primeira pessoa que se dirige diretamente a quem faz teatro e reafirma o vínculo com o ofício teatral.
A terceira parte, Conteúdo Adulto, é escrita por Lucas Mayor e acompanha um casal de atores negros que vive de subempregos e recorre à remontagem de Antígona diante do suicídio e do não sepultamento do pai de um deles. A obra de Sófocles passa, assim, a se relacionar diretamente com uma experiência de luto e com as condições de vida dos personagens.
Ficha Técnica:
Direção: Lucas Mayor e Marcos Gomes
Dramaturgia: Lucas Mayor, Marcos Gomes e Plínio Marcos
Elenco: Cleber Tolini, Filipe Roseno, Guilherme Conceição, João Bourbonnais e Robinson Rogério
