“Medeia” estreia no Teatro Firjan SESI Centro
No imaginário ocidental, o mito de Medeia e Jasão permanece como uma das narrativas mais perturbadoras da antiguidade por condensar amor, traição, ambição política e violência em uma mesma trama: depois de ajudar Jasão a conquistar o tosão de ouro, abandonar sua terra e romper com a própria família, Medeia vê-se descartada quando o herói decide casar-se com a filha do rei de Corinto em busca de prestígio social; a resposta da personagem, marcada por uma vingança extrema, transforma o mito em reflexão duradoura sobre exclusão, poder e condição feminina. Na leitura clássica de Eurípides, Medeia deixa de ser simples monstruosidade para se afirmar como voz trágica de uma mulher estrangeira e humilhada, cuja dor expõe as fissuras morais de uma sociedade patriarcal, da figura que é aceita enquanto útil e rejeitada quando se torna inconveniente. Ferida por uma estrutura de poder que a marginaliza por ser mulher, estrangeira e sem proteção política, sua vingança impede leituras simplificadoras: ela não cabe nem na figura da vítima passiva nem na da vilã absoluta. Sua ambiguidade é o que sustenta sua atualidade
Ficha Técnica:
Dramaturgia: Diogo Liberano
Direção: Paulo de Moraes
Elenco: Carolina Pismel e Paulo Verlings
Iluminação: Maneco Quinderé
Figurinos: Carol Lobato
Música: Ricco Viana
Cenário: Paulo de Moraes e Carla Berri
Preparação corporal: Toni Rodrigues
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Designer gráfico: André Senna
Captação de apoio: Renata Leite
Produção executiva: Carolina Pismel e Renata Leite
Idealização e direção de produção: Paulo Verlings
