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RESET BRASIL

COLETIVO ESTOPÔ BALAIO ESTREIA RESET BRASIL

Com 20 atores em cena, sendo 12 crianças, espetáculo tem dramaturgia de Juão Nyn e direção de Ana Carolina Marinho e volta a utilizar as viagens de trem para a encenação. Agora o destino é São Miguel
Paulista e o público é levado pelas ruas do Jardim Lapena e pelo Museu Capela dos Índios que fica na Praça do Forró, região onde foi confabulado um dos maiores ataques Indígenas do Estado de São Paulo

O Coletivo Estopô Balaio, formado em 2011 no Jardim Romano, Zona Leste de São Paulo, segue, desde 2020, para uma nova empreitada, um mergulho profundo em si, na trajetória migrante e na retomada indígena que perpassa a maioria dos integrantes do grupo. RESET BRASIL, o inédito trabalho do coletivo, que estreia dia 11 de março, sábado, às 15h, reúne todos esses elementos em um espetáculo de quatro horas de duração.

Projeto contemplado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo da Secretaria Municipal de Cultura e ProAC – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo, RESET BRASIL conta com dramaturgia de Juão Nyn, direção de Ana Carolina Marinho e um elenco de 20 atores, sendo 12 crianças. Com um repertório de espetáculos que acontecem nos vagões de trem e na rua, o Coletivo Estopô Balaio junta essas duas premissas em sua nova montagem, na qual o público é convidado a sonhar rotas de fuga para o Brasil.

Em RESET BRASIL, ao embarcar em um trem, rumo a São Miguel Paulista, os espectadores com aparelhos sonoros e fones de ouvido, começam a ser guiados por vozes de crianças e anciãos que falam, além do português, diversos idiomas nativos. Nesse trajeto o público descobre que o Brasil sumiu do mapa e quando desembarca em São Miguel Paulista é recepcionado por um levante indígena no Jardim Lapena. Aos poucos vai descobrindo que o antigo aldeamento Ururay – nome original da região pantanosa que abrange os bairros do Jardim Romano, Itaim Paulista e São Miguel Paulista, além de outros da Zona Leste e Alto Tietê – ainda resiste e planeja um novo cerco. Os moradores, as crianças e os artistas vão se revelando a partir de suas ancestralidades: indígenas, vindos de África, de Abya Yala, benzedeiras, pajés e nordestinos.

O espetáculo integra a Trilogia da Amnésia do Coletivo Estopô Balaio composta pelas peças Reset Nordeste – encenada em versão on-line e que provavelmente terá uma versão presencial – RESET BRASIL e Reset América Latina, em processo de pesquisa.

Memória étnica
O Coletivo Estopô Balaio traz para a encenação de RESET BRASIL a pesquisa e provocação de Juão Nyn, ator do grupo e indígena Potyguara, bem como toda a inquietação como artistas migrantes, em sua maioria vindos do Nordeste, e desterritorializados.

Na atualidade, o corpo de artistas do Coletivo Estopô Balaio está formado majoritariamente por artistas indígenas – Dunstin Farias, Keli Andrade, Juão Nyn, Mara Carvalho e Lisa Ferreira. Essa configuração de equipe estabeleceu-se dessa maneira pela continuidade da pesquisa do grupo sobre fluxos migratórios, além da ampliação de consciência indígena em corpos urbanizados, mestiçagem e memória étnica, fortalecimento de redes politizadas na periferia e valorização da presença de corpos nordestinos/migrantes/indígenas diante da demanda territorial de moradia e dignidade de vida na metrópole paulista.

Para a encenação de RESET BRASIL, o Coletivo Estopô Balaio convidou diversos atores e atrizes que participaram de uma residência artística no ano passado para integrarem o elenco, que é majoritariamente formado por moradores dos bairros Jardim Romano e Jardim Lapena. De acordo com a diretora Ana Carolina Marinho, o fazer artístico do Estopô Balaio sempre esteve voltado para a Zona Leste de São Paulo e para o resgate da oralidade e das memórias. Como migrantes nordestinos, os artistas encontraram no Jardim Romano um lugar de pertencimento.

“São Miguel Paulista é palco desta história, tanto porque é o bairro paulista com a maior concentração de nordestinos fora do Nordeste, como porque foi palco para uma importante resistência indígena na época de São Paulo colonial. Foi do aldeamento de Ururay que surgiu o cerco do Piratininga, em 1562, uma das maiores resistências indígenas contra a escravização e catequização dos povos nativos. Ururay é um território que compreende os atuais bairros de São Miguel Paulista, Itaim Paulista e Jardim Romano, desta maneira nos sentimos reconectados com o levante desta terra. A Capela dos Índios foi construída pelos indígenas e jesuítas em 1560, é o templo mais antigo da cidade de São Paulo e está localizada na Praça do Forró, ponto final do espetáculo”, explica ela.

Já o dramaturgo Juão Nyn conta que a dramaturgia de RESET BRASIL é pautada na memória, nos sonhos e nas narrativas orais dos moradores do Jardim Lapena e redondezas. “Como o Brasil é uma falsificação ideológica, descobrir que o Jardim Romano também é Ururay nos convocou para um processo de retomada deste território. Esse espetáculo é nosso contrafeitiço. Quando o historiador indígena Xukurú Tupinambá, Casé Angatú, durante a pesquisa deste projeto, nos revelou as imagens dos primeiros migrantes nordestinos para São Paulo, reconhecemos corpos indígenas. Então, nosso desejo é nos compreender como uma resistência-parente, unida pela nossa ancestralidade, pela nossa territorialidade e pelos nossos sonhos.”

Sobre o Coletivo Estopô Balaio (@coletivoestopobalaio)
Surgiu em 2011 no bairro Jardim Romano, na Zona Leste de São Paulo, e consolidou sua atuação no espaço público, propondo novas relações com a cidade e novas experiências de praticar a vida urbana. O grupo é formado por artistas migrantes, em sua maioria vindos de estados do Nordeste, e trabalha com a perspectiva de arte em comunidade. O Coletivo encontrou no bairro um lugar de pertencimento e acolhimento e definiu seu endereço na rua Adobe, 47, onde instalou a Casa Balaio, que abriga diversos grupos, oficinas e espetáculos. Com repertório de espetáculos que acontecem nos vagões de trem e na rua, a exemplo de A cidade dos rios invisíveis, vencedor do Prêmio Shell de Teatro na categoria Inovação em 2020, o coletivo frequentemente desenvolve trabalhos itinerantes, que utilizam a cidade como suporte de cenário e dramaturgia e com a perspectiva de biografar personagens reais e levá-los à cena.

Ficha técnica:

Direção – Ana Carolina Marinho. Dramaturgia – Juão Nyn. Direção de Movimento e Preparação Corporal – Rodrigo Silbat. Diretora Assistente – Maíra Azevedo. Direção Elenco Infantojuvenil – Carol Piñeiro. Direção Musical, Edição e Mixagem “Trem-Ato” –Rodrigo Caçapa. Direção de Arte – Mara Carvalho e Juão Nyn. Elenco – Dandara Azevedo, Dunstin Farias, Jaqueline Alves, Jefferson Silvério, Jéssica Marcele, Keli Andrade, Laís Farias e Silvana Farias. Elenco Infantojuvenil – Anny Beatriz, Anny Victoria, Eduarda França, Eduarda dos Santos, Gabriely Vitória, Gi Godoy, Julya Pereira, Kim Andrade, Lua Brites, Pedro Henrique, Ryan Peixoto e Suemy Dagmar. Percussionistas – Josué Bob e Thiago Babalotim. Flautista – Giovani Facchini. Operação de Som – Jomo Faustino, Devão Sousa e Emerson Oliveira. Efeitos [Arte Laser] – Diogo Terra. Artistas Visuais [Artes Muros] – Felipe Urso, Morales, Ricardo Cadol, Ana Kia, Rote, Vini Meio, Ignoto, Auá Mendes e Ju Costa. Participações Especiais – Socorro, Márcia Gazza, Olga, Ângela Alves, Fernando Alves, Didão e Page Rubens. Cenotécnico – Enrique Casa. Figurinos – Mara Carvalho. Adereços – Aline Dayse. Costureira – Pamela Rosa. Artes Gráficas – Daniel Torres. Contrarregras – Lisa Ferreira, Rodrigo Vieira e Wesley Carrasco. Assessoria de Imprensa – Nossa Senhora da Pauta. Assessoria Jurídica – Paulo Rogerio Novaes e Aline Dias de Andrade. Secretaria – Lisa Ferreira. Mídias Sociais – Gabriel Carneiro. Fotografia e Câmera – Cassandra Mello. Produção e Direção de Produção – Wemerson Nunes [Wn Produções]. Realização – Coletivo Estopô Balaio e Cooperativa Paulista de Teatro.

Ponto de encontro: Estação Brás da CPTM – Plataformas 6/7 da linha 12 – Safira da CPTM com destino à Calmon Viana (os espectadores devem chegar com 30 minutos de antecedência para retirada do equipamento sonoro utilizado na viagem).

 

Texto disponibilizado pela produção do espetáculo.

Detalhes da peça

Status

Encerrada

Temporada

De 11/03/2023 até 07/05/2023

Dias

sáb 15h, dom 15h

Duração

240 minutos

Valor

Gratuito (os ingressos devem ser reservados no site)

Região

Centro / São Paulo

Teatro / Espaço

Estação Brás da CPTM
Estação Brás da CPTM , Plataformas 6/7 da linha 12 – Safira da CPTM com destino à Calmon Viana, Brás, São Paulo/SP - 03002010

Estacionamento

Cafeteria

Sim

10

Classificação indicativa

Não apropriado para menores de 10 anos

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